Smoke

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Existem alguns esportistas que poderiam usar a palavra sucesso como sobrenome. São aqueles indivíduos que vencem em suas carreiras, mudam de atividade e continuam ganhando. Exemplos não faltam:

Phil Jackson, campeão de dois títulos da NBA como jogador, tornou-se treinador e ganhou incríveis onze títulos.

Mario Andretti, campeão da F1, vencedor da Indy 500 e da Daytona 500.

John Surtees, sete vezes campeão nas motos também campeão da F1. O único no mundo, por sinal.

Alessandro Zanardi, campeão da Cart por duas vezes e diversas vezes campeão olímpico. Nesse momento lutando pela maior vitória de todas, a própria vida. Que esse grande exemplo de campeão se recupere e volte logo a nos brindar com mais e mais vitórias.

Para nos mantermos na Nascar, podemos citar o grande Joe Gibbs, três vezes campeão do Super Bowl na NFL e cinco vezes campeão como dono de equipe.

Na Nascar temos o privilégio de acompanhar a carreira de um ex-piloto, agora dono de equipe, que está em pé de igualdade com os grandes esportistas citados acima, o grande Tony Stewart.

Tony é um homem de personalidade forte, sempre no limite dentro e fora das pistas, jogando duro e não se privando de falar o que pensa. Sua carreira nas pistas teve início quando ainda era menino, correndo de kart nos Estados Unidos e vencendo seu primeiro campeonato no ano de 1980. Tony tinha apenas nove anos de idade. Alguns anos depois, em 1987, venceu o campeonato chamado World Karting Association.

Tony disputou provas em ovais na terra, sendo o primeiro a vencer as três divisões principais dessa modalidade no mesmo ano (1995). Ainda nesse ano, fez sua estreia na Indy, participando de três corridas, conseguindo uma pole position e um pódio. Em 1996, seguiu na Indy e, ao mesmo tempo, teve os primeiros contatos com carros da Nascar, via Truck Series e Xfinity.

Nessa época, a Indy tinha um calendário semelhante à NBA, com o início da temporada em um ano e o fim na metade do ano seguinte. Em 1997, Tony conseguiu algumas vitórias e um quinto lugar na Indy 500, o que foi suficiente para lhe dar o título da temporada. Tony também fez boas corridas na Xfinity, obtendo um top5 e dois top10 em apenas cinco provas.

Em 1998, defendeu seu título na Indy chegando na terceira colocação no campeonato com duas vitórias, quatro pódios e três pole positions. Nesse mesmo ano também participou de vinte e duas provas na Xfinity, conseguindo duas poles, cinco top5 e cinco top10.

1999 foi o ano de estreia de Tony na categoria principal da Nascar, a Cup Series, e não poderia ter sido melhor. Em sua primeira Daytona 500, Tony largou na primeira fila, fazendo uma ótima corrida até ter problemas no carro. No fim de sua primeira temporada completa, foi eleito o Rookie do Ano com incríveis três vitórias, doze top5, vinte e um top10 e mais duas poles. Foi quarto no campeonato, somando mais de três milhões de dólares em prêmios. Nesse ano, correu no mesmo dia as provas da Indy 500 e a 600 Milhas de Charlotte, chegando em nono e quarto, respectivamente.

O ano 2000 foi de bastante sucesso, apesar de não ter conseguindo o título da Cup. Foram seis vitórias, doze top5 e vinte e três top10. Algumas quebras não o deixaram levar o caneco e sua posição final foi sexto. Definitivamente, o piloto tinha provado sua competência e seu valor, conseguindo ótimos resultados e muita competitividade.

Mas o que foi o piloto Tony Stewart, depois desse início promissor? Só na Cup foram 49 vitórias, 187 top5, 308 top 10 e 15 poles. Tudo isso coroado com três títulos e mais de 122 milhões de dólares em prêmios.

Tem mais uma coisa: o último título conquistado por Tony veio em um carro seu. Em 2011 ele se tornou sócio e coproprietário da Stewart Haas, fazendo uma parceria de sucesso com Gene Haas, que também é o dono da equipe Haas, na F1.

Além do enorme sucesso na Nascar, Tony Stewart ainda disputou as 24 horas de Daytona por cinco vezes, mas em todas sofreu com danos mecânicos. Mesmo com os problemas, ainda conseguiu um pódio em 2005.

O ano de 2014 foi bastante difícil para Tony. Em uma corrida de sprint cars, nos ovais de terra, um acidente resultou na morte de um competidor que foi atropelado por Stewart. Os pilotos se envolveram em um acidente e o piloto Kevin Ward Jr. foi até o meio da pista para reclamar com Tony pelo toque em seu carro. Tony veio em velocidade e atropelou Kevin, que acabou falecendo no hospital algum tempo depois. O episódio confuso e traumático marcou o piloto e sua história.

A aposentadoria como piloto profissional veio em 2016, depois de conseguir uma vitória emocionante na pista de Sonoma. Em uma disputa apertada com Denny Hamlin, Tony recuperou a primeira posição faltando apenas duas curvas, batendo roda com Hamlin e vencendo de forma surpreendente. Tony já não estava nos melhores dias como piloto, após algumas fraturas e resultados ruins, mas ainda conseguiu uma vitória em seu último ano.

Como dono de equipe, Tony ganhou o título de 2014 com Kevin Harvick vencendo o campeonato de pilotos. Até o momento, a Stewart Haas tem sessenta vitórias desde sua criação, ainda como Haas em 2002, mas uma coisa é certa: esse número não vai permanecer assim, já que a cada fim de semana, pelo menos um dos quatro carros da equipe está disputando a vitória. Só nesse ano, Harvick venceu quatro provas e o novato Cole Custer ganhou sua primeira corrida na Cup Series.

Como última grande vitória de uma carreira de sucesso, em 2019 Tony Stewart foi escolhido como um dos cinco integrantes do Hall of Fame da Nascar, fazendo parte do time da classe de 2020. Tony ainda tem muito a oferecer como dono de equipe e com certeza seu time vai ter tanto sucesso como teve o piloto.

Como curiosidade, o apelido “Smoke” (fumaça) surgiu porque Tony sempre deslizava seu pneu dianteiro direito nas corridas de terra, levantando poeira, e depois por estourar muitos motores na Indy. Quem diria que o esse jovem destruidor de motores se tornaria tantas vezes campeão?

Abraços

Rafael Mansano

Rafael Mansano
Rafael Mansano
Viciado em F1 desde pequeno, piloto de kart amador e torcedor de pilotos excepcionais.

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