Os Grandes Titãs da Fórmula 1 – Anos 80

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Continuamos a nossa resenha em apontar os grandes Titãs da Fórmula 1, dando sequência depois de abordar a década de 50, a década de 60   e a  década de 70 , vamos para os anos 80.

A década de 80 foi uma das mais agitadas nas evoluções e mudanças promovidas, ao menos em 3 aspectos tivemos evoluções vertiginosas:

  • No aspecto técnico houve a consolidação de fortes conceitos aerodinâmicos, no desenvolvimento de motores turbos, na guerra dos fabricantes de pneus, esses fatores levaram a um maior protagonismo dos projetistas, nomes como Patrick Head, Gordon Murray, Harvey Postlethwaite, Frank Dernie, John Barnard entre outros foram responsáveis pelos carros mais eletrizantes e competitivos da década
  • No aspecto financeiro a engrenagem montada por Bernie Ecclestone na década anterior se consolidou e o aporte financeiro transformou alguns “garagistas” em multimilionários, os salários dos pilotos também tiveram um impacto, muitos alçados a condição de superstar surfaram nessa onda e seus nomes transcenderam o limite das pistas, os paddocks deixaram o improviso e verdadeiros “palácios” começaram a surgir, patrocinadores lotaram os boxes mais e mais a cada ano
  • No aspecto televisivo a Fórmula 1 se consolidou como um esporte global, com audiência na casa de milhões de telespectadores, com contratos bem amarrados a transmissão se tornou obrigatória para todos os GPs, nós torcedores sentimos o efeito de forma positiva

Bernie Ecclestone termina a década como o nome mais forte da Fórmula 1, ele se torna um novo bilionário e entra na lista dos homens mais ricos da Inglaterra, seu poder toma proporções colossais e ele passa a mandar “prender e soltar” como diz o dito popular, nada mais no paddock acontece sem a sua permissão, até a FIA é tomada pelos seus tentáculos, Jean Marie Balestre presidente da FIA acha que manda no esporte, mero engano, seu poder é apenas areia movediça.

Essa também é uma década que proporciona disputas com grandes nomes, talvez pela maior visibilidade televisiva, muitas imagens ficaram marcadas no imaginário dos que puderam acompanhar as corridas, tendo alguns saudosistas, como eu, que apontam sem prurido que foi a melhor década do automobilismo

Alçados a um patamar cada vez mais profissional e exigente, do ponto de vista técnico, físico e mental, muitos pilotos elevaram o nível na busca por resultados, com isso passaram a contar com uma competitividade acirrada o que proporcionou disputas ferrenhas, nas pistas e fora delas

Equipes deixando o lado mais amador do “garagismo” se tornando potencias de inovação e profissionalismo, numa alusão a essa ressignificação é que um Ron Dennis por exemplo levou a McLaren a padrões que seus boxes mais pareciam um centro cirúrgico de hospital de tão branco que o piso era mantido.

Modelos táticos voltaram a competição, com destaque para as paradas para reabastecimento e troca de pneus, dessa vez bem mais elaboradas que o que havia sido feito nos anos 50, aos poucos ficou tão importante uma boa parada quanto a condução do carro na pista

Os pilotos passaram a ter em suas decisões de pista não apenas onde tirar o máximo de desempenho do carro, onde encontrar a melhor brecha para ultrapassar o adversário, foi preciso incorporar a esses atributos o refinamento de uma visão mais elaborada do desempenho do carro e saber trocar informações com engenheiros e mecânicos, ter uma visão mais completa do todo de uma corrida e junto com a equipe decidir momentos ou acertos cada vez mais refinados.

Ser um velocista ainda era importante, mas os que juntaram o conceito de piloto “cerebral” proporcionaram corridas onde a tática derrotou muitas vezes alguns bons velocistas.

E vamos a relação da década de 80, nessa coluna vamos fazer uma mudança para refletir os acontecimentos vigentes, uma evolução acentuada ocorridas nos anos 80 foi a participação bem mais protagonistas dos projetistas, assim vamos substituir o nome dos construtores pelos projetistas,

Separando em 3 blocos o critério de escolha os nossos Titãs:

  1. Pilotos
  2. Projetistas
  3. Carros

Pilotos

 

1.Ayrton Senna

Quando Ayrton Senna estreou na Fórmula 1 em 1984 já havia uma expectativa de que ele seria um futuro vencedor e campeão, sua trajetória nas categorias de base já deixava claro a sua intenção de chegar e ser um vencedor, durante o restante da década seus feitos o trazem ao topo de nossa lista.

Em seu ano de estreia temos a corrida de Monaco, até hoje objeto de delongas e controvérsias sobre a decisão de Jacky Ickx de paralisar a prova na 28º das 71 previstas, com isso Alain Prost foi declarado vencedor, Senna ficou como vencedor “moral”, em minha opinião acho essa versão melhor do que se ele tivesse vencido a prova

No ano seguinte em 1985 sobre um imenso diluvio ele conquista sua primeira vitória em Portugal, a partir daí o seu nome não deixa mais o panteão dos favoritos a vitórias e títulos

Numa década que teve nomes de peso nas muitas disputas, Senna proporcionou fantásticas disputas e corridas, contra Prost, Mansell e Piquet

Temos uma lista de provas antológicas do brasileiro, rever essas corridas são um exercício atemporal e que ainda atualmente nos deixa perplexos e fascinados, como não rever por exemplo: GP de Monaco de 1984, Portugal 1985 sua primeira vitória, Espanha em Jerez 1986 com sua chegada de prender a respiração, as vitórias em Monaco, o GP do Japão onde ele conquista seu primeiro título da Fórmula 1

Ayrton Senna personifica talvez o maior dos titãs que listamos até aqui

 

 

2.Alain Prost

Desde a criação do automóvel e o primórdio das primeiras competições entre os fabricantes nas corridas temos a França como berço das primeiras corridas, na criação do campeonato oficial da Fórmula 1 era natural esperar que um dia um francês fosse sagrado campeão

Foi preciso a Fórmula 1 chegar na maturidade e 35 temporadas disputadas para que tivéssemos um francês campeão

Alain Prost estreou na categoria em 1980, ano de abertura da década, em 1981 ele conquista a primeira das muitas vitórias na categoria e consistentemente passa a ser um favorito a disputas dos títulos, entre os anos de 1981 até 1984 ele bate na trave duas vezes, finalmente em 1985 ele se sagra o primeiro e até hoje o único francês campeão da categoria

Num estilo muito cerebral de competir, ele ganha o apelido de “professor”, e nos anos de 1986 e 1989 ele volta a se sagrar campeão, com 3 títulos na década de 80, Prost é o maior campeão da década, mas não o melhor

A partir de 1988 ele e Senna disputam diretamente dois títulos e mesmo com toda a experiência adquirida em outras disputas, Prost só derrota o brasileiro com estratagemas extra pista, principalmente por contar com o apoio explícito de Jean Marie Balestre, presidente da FIA

Nas pistas algumas corridas que o francês disputa valem uma revisita e assistir outras vezes, a primeira sem dúvida é o GP da Australia 1986, quando ele conquista seu Bicampeonato

Monza 1985, Monaco 1986, Bélgica 1986, Portugal 1987 esse vale pela quebra do recorde de vitórias de Jackie Stewart, França 1988 e 1989, são algumas das corridas que aponto e que valem rever

 

 

3.Nelson Piquet

Se um piloto pode ser apontado como altamente inteligente para extrair o melhor que um carro pode entregar, sem sombra de dúvidas o Piquet tem de fazer parte da lista

Sua carreira nas diversas categorias por onde passou mostrou um piloto que tinha um nível de criatividade ímpar nessa questão

Na Fórmula 1 no período na Brabham, Piquet conquistou dois títulos, 1981 e 1983, não eram os conjuntos mais fortes daqueles anos, mas com criatividade e muita inteligência tática junto com o Gordon Murray, eles levaram a melhor sobre pilotos das equipes Williams e Renault

Ao final de 1985 ele se transfere para a Williams, para 1986 com o melhor conjunto do grid a conquista de um tri por parte do brasileiro seria uma aposta certa, só que foi dentro da equipe que ele encontrou em Nigel Mansell seu maior rival naquela temporada e ambos perderam o título para Alain Prost

Em 1987 já ambientado e sabendo como neutralizar Mansell, Piquet conquista o Tri, junto com Prost eles são os pilotos com maior quantidade de títulos da década

Piquet aliou uma inteligência tática, conhecimento de mecânica e a dose extra de velocidade poucas vezes vistas num único piloto

Como corridas de Piquet que valem uma revisita, GP dos EUA em Long Beach 1980, sua primeira vitória, GP Brasil 1983, GP da África do Sul 1983, GP da Hungria 1986, a disputa entre ele e Senna é antológica, GP da Itália 1987

 

4.Nigel Mansell

Mansell estreou na categoria em 1980 pela equipe Lotus, Colin Chapman o via como um potencial campeão, com a morte de Chapman em 1982, o sucessor Peter War via Mansell como um piloto mediano o que deixou o inglês à mercê de seu temperamento, com um jeito que logo ganhou notoriedade no grid de trapalhão, Mansell aliava corridas com alto desempenho e outras bem fracas, ele ficou na Lotus até 1984, sua melhor chance de vitória no período foi em Monaco 1984, só que ele bateu e perdeu essa chance

Em 1985 ele muda para a Williams e lá sua sorte muda, conseguindo entregar resultados mais consistentes, ele conquista duas vitórias e entra na temporada de 1986 com moral suficiente para confrontar Nelson Piquet e postular a primazia de disputar vitórias e o título, que aliás naquele ano fugiu por um pneu estourado no GP da Australia

Duas vitórias em casa na Inglaterra em 1986 e 1987 colocam Mansell como um piloto muito popular, ressaltando que em Silverstone 1987 ele ultrapassa Piquet numa bela manobra

Em 1989 ele se transfere para a Ferrari e em sua primeira corrida no Brasil vence, marcando a primeira vitória de um carro com câmbio sequencial

Corridas de Mansell que valem uma revisita; GP da Europa 1985, GP da Inglaterra em Brands Hatch 1986, GP da Inglaterra em Silverstone 1987, GP Brasil 1989

Vamos dar uma parada na nossa lista com os pilotos, deixo o espaço livre para comentários e contestações

 

Em nosso próximo encontro vamos elencar os projetistas e carros Titãs da década de 80

Até lá

Mário

Mário Salustiano
Mário Salustiano
Entusiasta de automobilismo desde 1972, possui especial interesse pelas histórias pessoais e como os pilotos desenvolvem suas carreiras. Gosta de paralelos entre a F1 e o cotidiano.

3 Comments

  1. Wladimir disse:

    Não entendo, Mario. Se Ecclestone era o que realmente mandava na F1 então por que ele não pôs o Ballestre no devido lugar toda vez que o déspota patético cometia os abusos? Ballestre se sentiu ofendido por Senna e envolveu a entidade (FIA) nos problemas pessoais exigindo a cassação da super licença do campeão reinante? Acho que Ecclestone era negociador demais ou não tinha tanta autoridade quanto pregavam os biógrafos e jornalistas.

  2. Geraldo Flávio Chaves disse:

    Mário,

    Concordo com você, invertendo também a ordem e acrescentando um outro piloto:

    1 – Nélson Piquet
    2 – Niki Lauda
    3 – Ayrton Senna
    4 – Nigel Mansell
    5 – Alain Prost

    Geraldo Flávio Chaves
    Juatuba, MG

  3. Fernando marques disse:

    Mario,

    Sem trocar uma vírgula das suas análises apenas inverto a ordem.
    1- Nelson Piquet
    2- Ayrton Senna
    3- Nigel Mansell
    4- Alain Prost

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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