Pilotos Olímpicos – Parte 3

Grazie, Dottore
29/11/2021
Lando Wonderfull Race
Que noite!
06/12/2021

Seguimos em nossa saga, iniciada aqui: http://gptotal.com.br/pilotos-olimpicos-parte-1/ e aqui: http://gptotal.com.br/pilotos-olimpicos-parte-2/

Enquanto Ben Pon ajudava a Porsche a se proclamar campeã de Sport Car em 1964, na Inglaterra, um jovem de 21 anos se iniciava no automobilismo, competindo nas fórmulas de promoção britânicas: Robin Michael Widdows. No ano seguinte, ele já venceria o campeonato britânico de Autosport e, em 1966, ascenderia à Fórmula 3, participando em oito corridas, com uma vitória em Snetterton e outros dois pódios.

Em 1967, tomaria parte na XIV International Gold Cup, prova extra campeonato da Fórmula 1, ainda que a maioria dos carros, incluído o de Widdows, fossem de F2. Com um Brabham BT23, ele logo abandonaria, assim como no GP da Finlândia, mas venceria na a Rhine Cup, em Hockenhein. Também participaria no campeonato europeu de F2 em 1968 e 1969, disputando dez corridas ao todo e tendo como melhor resultado um 4º lugar em Hockenhein, além de disputar algumas outras corridas de F2, com um 2º lugar em Pau (superado apenas por Jackie Stewart) e outro em Reims (com vitória de François Cevert), para conseguir vencer o XI Gran Premio della Lotteria di Monza de 1969, havendo sido já terceiro no ano anterior. Ainda em 1968, Widdows disputaria o British GP, em Brands Hatch, com um Cooper, mas abandonaria no meio da prova por problemas de ignição. Aquela seria a sua única presença num GP oficial de Fórmula 1, enquanto que, em 1969, tomaria parte nas 24 horas de Le Mans junto a Nanni Galli com Matra, terminando na 7ª posição geral.

Em todos esses anos, Robin Widdows não descuidou sua outra paixão: o Bobsleigh. De fato, em 1964, o seu ano de estreia no automobilismo, ele competiu nos jogos olímpicos de inverno em Innsbruck, como membro tripulante da segunda equipe britânica de Bobsleigh de 4, terminando na 13ª posição final. Em 1968, voltaria a participar nos jogos de Grenoble, mas desta vez como membro tripulante da primeira equipe, onde conseguiram a 8ª posição. Nesta olimpíada, Robin coincidiria com Bob Said, quem não conseguiu se classificar para a série final. Em 1970, volta a disputar o campeonato europeu de Fórmula 2, mas depois de três provas (com um 2º lugar em Thruxton e um 4º em Montjuic), apesar de ser seu melhor começo de temporada, e contando apenas com 27 anos de idade, Widdows abandona a competição. Anos mais tarde, estaria presente na Fórmula 1 como representante da Möet-Chandon, a marca do champanhe usado nas celebrações do pódio dos vencedores.

Nas olimpíadas de 1964 e 1968, Widdows teria como companheira Divina Mary Galica, quem também formava parte da representação britânica, competindo em provas da modalidade de esqui alpino. Concretamente, em Innsbruck, Galica, então com apenas 19 anos teve uma participação discreta (23ª em Slalon Gigante e 30ª em descenso), mas melhorou muito em Grenoble, onde conseguiria o 8º lugar na prova de descenso e, ainda em 1968, obteria dois 3º lugares em descenso na copa do mundo de esqui. Um 4º lugar viria em 1970, também em descenso na copa do mundo e, nas olimpíadas de Sapporo, 1972, Galica conseguiria a sua melhor classificação: 7ª em Slalon. Em Grenoble e em Sapporo, Galica atuava como capitã da equipe britânica.

Mercê às suas boas atuações nas pistas, Galica conseguiria ser muito popular e foi essa notoriedade o que a levaria aos circuitos, sendo convidada em 1974 a participar numa das chamadas “celebrity race”, em Oulton Park, terminando na segunda posição. Isso chamou a atenção de John Webb, quem logo a toma sob a sua tutela, oferecendo-lhe um curso de pilotagem em sua escola. Em 1975, Galica competiria no campeonato feminino de Ford Escort, sendo vice-campeã, para vencer no ano seguinte. Nesse mesmo ano de 1976, Galica participa no campeonato Shell Sport, que usava carros da Fórmula 1 já obsoletos e se desenvolve bastante bem, com um 3º lugar em Brands Hatch e um 2º em Donington Park, acabando 4ª na classificação final.

 

Webb logo vê o potencial publicitário de Galica e a inscreve no British GP de 1976, corrida da qual ele era o promotor. Com um Surtees TS16, Galica não consegue se classificar, mas Webb já havia conseguido o impacto publicitário que buscava. Ela continua competindo no Shell Sport, terminando desta vez no 6º lugar, com quatro pódios ao longo da temporada de 1977, enquanto que em 1978 seria 14º colocada final, com um pódio. Nessa mesma temporada, ela teria outra oportunidade na Fórmula 1 com a equipe Hesketh, já em plena decadência, mas não conseguiria se classificar para os GPs da Argentina e do Brasil (até Niki Lauda lhe havia dito que era impossível que ela pudesse se classificar com aquele carro…).

Assim, Galica abandona a Fórmula 1 e retorna à Inglaterra, onde tomaria parte em varias corridas da Shell Sport e da Fórmula 2 europeia nas temporadas de 1978, 1979 e 1980, tendo como melhor resultado um 2º lugar em Zandvoort. Depois se dedicaria aos Sport Car, participando esporadicamente até 2004. No meio, em 1988 e 1989, Galica venceria o campeonato britânico de caminhões.

No entanto, durante todos esses anos, não deixou de esquiar e, em 1992, voltaria a estar presente na Olimpíada de Albertville, ainda que apenas em uma prova de exibição. No ano seguinte, Galica, então com 48 anos, entraria no seleto grupo de mulheres a superar a barreira dos 200 km/h de velocidade no descenso, convertendo-se na recordista britânica da especialidade, ao alcançar os 201,168 km/h. ele depois se mudou para os Estados Unidos, onde ainda participou em algumas corridas históricas, além de ser instrutora na escola de pilotagem de Skip Barber.

Todos estes personagens tiveram em comum uma permanente necessidade da velocidade, fosse em circuito, pista ou campo, que os levaram a uma vida de constante busca por velocidade e de experimentar as sensações que ela proporciona. Ayrton Senna, em certa ocasião, disse:

“Se uma pessoa não tem sonhos, não tem mais razão para viver. Sonhar é necessário, embora no sonho a realidade deva ser vislumbrada. Para mim este é um princípio de vida” Esse parece ter sido o princípio de vida que impulsionou a estes pilotos olímpicos, e deveria ser também o princípio que nos impulsione a todos.

Grande abraço e até a próxima.

Manuel Blanco

Manuel Blanco
Manuel Blanco
Desenhista/Projetista, acompanha a formula 1 desde os tempos de Fittipaldi É um saudoso da categoria em seus anos 70 e 80. Atualmente mora em Valência (ESP)

2 Comments

  1. Manuel disse:

    Oi Fernando,

    Divina é viva e muito viva !
    Ela chegou à vicepresidencia da escola de Skip Barber e, em 2005, deixou a escola para ser diretora da empresa de video jogos “i.racing” até 2018, quando voltou à sua atividade instrutora de pilotos, desta vez, na escola de Bertil Roos… onde ainda está.

  2. Fernando marques disse:

    Manuel Blanco,

    A história da Divina Dalica é incrível. Os resultados dela no automobilismo são notáveis.
    Ela ainda é viva?

    Fernando Marques
    Niterói RJ

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *